quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ladrilhar de flores

O luar caramelado observava as almas apressadas vagando pelo asfalto onírico do paraíso tropical. Era janeiro de 1995, Saturno governava sobre os céus. Na terra, os pés apressados ondeavam sob o gládio da lua quarto-crescente, almejando por quaisquer aragem a beijar o rosto vertente de umidade. O clima tropical fundia entre os poros das oleosas peles abençoadas pelo sol. Nos corpos térmicos, 40ºC de sonhos volvidos. As estrelas jaziam sobre o sombrio manto remoto, adornando o infinito tenebroso reinado pela constelação de capricórnio. O vento hostil abafava a respiração ofegante de corpos providos de cansaço. Entre o perambular caótico, um clamor sobre o leito hospitalar calou o berro intragável dos carros da avenida.
- Nasceu! - Exclamou o médico, contente. - É uma menina! - Prosseguiu, emocionado ao fitar o rosto de tom rútilo. Os lábios salmão eram relativamente espessos, e o nariz era franzino e arredondado. O olhar, por sua vez, era de uma coloração penetrante, negra como o petróleo; como se houvesse um enredo de mistérios mascarados por trás do breu de sua íris turva. Dentre o emaranhar de seus encarquilhados cabelos, seus fios amadeirados velavam a pólvora dos desejos daqueles que embrenhariam-se dentre estes. Bordada de virtudes, nascia a menina. Nos céus, os deuses comemoravam o ato divino, e junto de Dionísio, embriagavam-se ao som de seu brado ventoso. Por fim, Irís, mensageira dos deuses, ascendeu aos céus anunciando bravamente: Brena… esse é seu nome!

Escrito por Tayne como presente de aniversário para Brena Simões.

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